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Entidades pedem que a Anvisa proíba canetas emagrecedoras manipuladas; entenda

Entidades médicas alertam para risco sanitário e pedem que a Anvisa proíba imediatamente a produção e venda de canetas emagrecedoras manipuladas no Brasil
Caneta (Foto Reprodução Redes Sociais)

Caneta (Foto Reprodução Redes Sociais)

Cinco das principais entidades de saúde do país pediram, nesta sexta-feira (28), que a Anvisa adote uma medida urgente: a proibição total da produção e venda de canetas emagrecedoras por farmácias de manipulação. O grupo aponta um “risco sanitário iminente” e um cenário de descontrole na comercialização desses produtos no Brasil.

O pedido é assinado pela SBEM, SBD, Abeso, Febrasgo e AMB, que reforçam que as farmácias de manipulação não possuem estrutura técnica nem autorização regulatória para fabricar versões semelhantes de medicamentos como o Mounjaro, baseado na tirzepatida.

A mobilização das entidades ocorre um dia após a Polícia Federal deflagrar uma operação que desmontou uma rede clandestina de fabricação de canetas emagrecedoras. Foram cumpridos 24 mandados de busca e apreensão na Bahia, Pernambuco, São Paulo e Rio de Janeiro. A ação resultou na apreensão de veículos, um avião, embalagens e medicamentos, segundo a Folha de S. Paulo.

A Anvisa, que participou da operação, foi procurada pela imprensa, mas ainda não comentou a solicitação.

O que preocupa as entidades

O documento enviado à agência lista quatro fundamentos: produção irregular, ampla circulação dos produtos, ausência de respaldo regulatório e estrutura de fabricação clandestina. Na prática, os órgãos apontam que laboratórios de manipulação estão produzindo versões da tirzepatida em escala industrial — algo proibido, já que farmácias só podem manipular fórmulas individualizadas.

“As moléculas originais (por exemplo, a tirzepatida) possuem características estruturais complexas, exigindo: processos industriais de alta complexidade, cadeia fria rigorosa, testes avançados de estabilidade, validação de dose, diluição e veículo e sistemas de envase asséptico com certificação específica. Nenhuma dessas etapas pode ser reproduzida adequadamente em ambiente de farmácia”, destaca o texto.

As entidades afirmam ainda que cadeias clandestinas semelhantes à encontrada pela PF se multiplicam no país, impulsionadas pela falta de fiscalização e pela demanda crescente. Segundo o alerta, fabricantes utilizam redes sociais e aplicativos para divulgar e vender as canetas sem qualquer controle.

Riscos aos usuários

Entre os problemas apontados estão contaminação, reações alérgicas, risco de infecção e falsificação de moléculas. Outro fator crítico é a falta de controle de concentração da substância ativa, o que pode resultar em toxicidade.

O transporte inadequado também é alvo de denúncia: as canetas exigem refrigeração rigorosa, algo que nem sempre é seguido. O documento ainda cita casos de “pancreatite, vômitos incoercíveis, distúrbios metabólicos e hospitalização” associados ao uso desses produtos.

A ginecologista Lia Cruz da Costa Damásio, diretora da Febrasgo, reforça que o cenário é incompatível com a função das farmácias de manipulação: “Isso foge ao escopo da farmácia da manipulação que, no Brasil, tem função de individualizar a dose, não de funcionar como indústria farmacêutica, fugindo da fiscalização”.

alfinetei

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