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Hantavírus: saiba quais são as características da doença e de sua transmissão

Infectologista detalhou características da cepa Andes e apontou fatores que favoreceram contaminação em navio no Atlântico
Hantavírus: saiba quais são as características da doença e de sua transmissão

Um infectologista da Universidade Federal do Rio de Janeiro explicou, na segunda-feira (11/05), as características do hantavírus associado aos casos identificados em um navio de cruzeiro que navegava pelo Oceano Atlântico após saída de Ushuaia, na Argentina. Durante entrevista à LIVE CNN, Alberto Chebabo comentou a transmissão da cepa Andes, apontada como responsável por infecções entre passageiros da embarcação. As informações são da CNN Brasil.

Segundo informações divulgadas pela empresa Oceanwide Expeditions, passageiros apresentaram sintomas respiratórios durante a viagem. Autoridades de saúde confirmaram sete mortes relacionadas ao vírus. O médico afirmou que a variante analisada não apresentou alterações genéticas capazes de ampliar a capacidade de contágio.

Cepa Andes pode passar entre pessoas

Chebabo explicou que a maior parte das variantes do hantavírus chega aos humanos por meio do contato com secreções de roedores silvestres. A cepa Andes representa uma exceção entre as 38 espécies conhecidas.

“Essa variante — conhecida como a espécie andense, ou Andes no nome científico, — é capaz de se propagar de pessoa para pessoa por via respiratória, sem a necessidade de contato com o vetor animal”, explicou Chebabo.

O infectologista ressaltou que a transmissão depende de convivência próxima por longos períodos em locais fechados. Durante a entrevista, o médico comparou a situação com a pandemia de coronavírus.

“Na COVID, um contato eventual é suficiente para haver essa transmissão, Já no caso do hantavírus, dessa espécie especificamente, é necessário um contato prolongado em um ambiente fechado, com pouca ventilação e com pouca troca de ar.”

Ambiente fechado favoreceu disseminação no navio

De acordo com Chebabo, um passageiro possivelmente embarcou contaminado ainda no período de incubação da doença. O médico destacou que a estrutura do cruzeiro contribuiu para a circulação do vírus entre passageiros.

“Um ambiente fechado, com ventilação forçada, ar-condicionado constante e poucas trocas de ar, aliado ao fato de o navio estar em uma região de clima muito frio, fez com que os passageiros permanecessem a maior parte do tempo nos espaços internos da embarcação”, argumentou o médico.

“As pessoas convivendo durante vários dias num ambiente confinado, onde essa transmissão aconteceu de forma mais facilitada”, descreveu o infectologista.

Médico alerta para alta taxa de mortalidade

Chebabo afirmou que a hantavirose apresenta elevada taxa de mortalidade, independentemente do perfil dos pacientes infectados.

“A letalidade varia de 25% a 50%”, afirmou.

Apesar da gravidade da doença, o especialista avaliou que o risco para a população em geral permanece reduzido.

“Não é um vírus novo como o da COVID”, concluiu o médico.

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