Um novo medicamento aprovado nos Estados Unidos pode abrir uma possibilidade para reduzir a perda de massa muscular associada ao uso de canetas de emagrecimento. O apitegromab, comercializado como Isembyld, recebeu aprovação da FDA para o tratamento da atrofia muscular espinhal (AME), doença genética rara que provoca perda progressiva de força muscular.
A droga ainda não está aprovada para combater a perda de músculo provocada pelos medicamentos para emagrecer. No entanto, um estudo preliminar avaliou o apitegromab em combinação com a tirzepatida, princípio ativo de medicamentos como Mounjaro, e apontou uma preservação maior de massa magra entre os participantes.
Estudo aponta preservação de massa muscular
O estudo de fase 2 da Scholar Rock acompanhou pacientes durante 24 semanas. Segundo os resultados divulgados pela empresa, aqueles que receberam apitegromab junto com tirzepatida preservaram cerca de 55% mais massa magra do que os participantes que utilizaram apenas o medicamento para emagrecimento.
A pesquisa ainda está em andamento, e os resultados são considerados preliminares. Por isso, o apitegromab não possui aprovação para ser usado com essa finalidade.

Como o novo remédio age no músculo?
O apitegromab atua bloqueando a miostatina, uma proteína que funciona como um regulador natural do crescimento muscular. Com a ação dessa proteína reduzida, o tratamento busca favorecer o desenvolvimento e a função dos músculos.
Essa abordagem é diferente dos medicamentos já utilizados contra a AME. Nesses casos, os tratamentos atuam sobre o gene SMN2 para aumentar a produção de uma proteína importante para a sobrevivência dos neurônios responsáveis pelo controle dos músculos.
Por isso, o Isembyld foi aprovado para ser utilizado junto a tratamentos já existentes contra a AME, como nusinersena ou risdiplam. A indicação da FDA contempla pacientes a partir dos 2 anos de idade.
Remédio foi aprovado após estudo com 188 pacientes
A aprovação do Isembyld foi baseada no estudo Sapphire, que reuniu 188 pacientes com AME entre 2 e 21 anos, em nove países. Os participantes já utilizavam nusinersena ou risdiplam e foram divididos entre grupos que receberam apitegromab ou placebo.
Após aproximadamente um ano, o grupo que recebeu o novo medicamento apresentou ganho médio de 2,2 pontos em uma escala utilizada para avaliar a função motora na AME. Já os participantes que receberam placebo apresentaram perda de função no período.
Uma melhora de pelo menos três pontos foi observada em 34% dos pacientes tratados com apitegromab, contra 13,5% daqueles que receberam placebo.
Por que a descoberta interessa a quem usa canetas de emagrecimento?
Medicamentos à base de tirzepatida e outras terapias para perda de peso podem levar à redução de gordura e também de massa magra durante o processo de emagrecimento. A preservação dos músculos é uma das questões estudadas por pesquisadores que avaliam os efeitos desses tratamentos a longo prazo.
É nesse ponto que o bloqueio da miostatina passou a chamar atenção. A combinação do apitegromab com tirzepatida ainda precisa ser estudada em pesquisas maiores antes de qualquer eventual aprovação para esse objetivo.
Os efeitos colaterais mais frequentes observados nos estudos do apitegromab incluíram infecções respiratórias, vômitos, tosse, dor de cabeça e reações alérgicas.
