O Brasil encerra 2024 com a notícia de que “ansiedade” foi eleita a palavra do ano, segundo pesquisa do Instituto de Pesquisa Ideia em parceria com a Cause e o aplicativo PiniOn. A escolha reflete não apenas uma questão linguística, mas um sintoma coletivo de uma era que combina ritmo acelerado, pressões cotidianas e expectativas exacerbadas.
Com o Brasil ocupando o posto de 4º país mais estressado do mundo, segundo o relatório global World Mental Health Day 2024, a “Dezembrite” se apresenta como uma síndrome marcada pela frustração típica do fim de ano, exacerbada pelas confraternizações e cobranças características desse período. De acordo com o ISMA (Instituto de stress e saúde mental, – International Stress Management Association), 80% das pessoas economicamente ativas apresentam níveis maiores de estresse, ansiedade e até depressão no final do ano.




A palavra foi escolhida por 22% dos brasileiros, em uma pesquisa que ouviu 1.538 pessoas representando todas as regiões do país. O levantamento aponta como a saúde mental ocupou lugar central nas discussões de 2024, ano marcado por avanços tecnológicos e desafios econômicos que afetaram profundamente a vida pessoal e profissional de milhões.
O termo “síndrome de fim de ano”, embora não oficial, sintetiza bem esse fenômeno. Estudos apontam que o estresse dos brasileiros aumenta em até 75% em dezembro, provocado pela combinação de pressões sociais, balanços pessoais e desafios profissionais.”As festas de fim de ano, com encontros de familiares e amigos, fazem com que as pessoas sintam a necessidade de mostrar resultados e conquistas, o que nem sempre reflete a realidade”, explica o neurocientista Dr. Fabiano de Abreu Agrela.
Dezembro e o desafio do planejamento
Para muitos, dezembro é sinônimo de recesso e descanso, mas a verdade é que o mês pode ser tudo, menos tranquilo. A busca por conciliar metas profissionais com celebrações familiares tende a elevar os níveis de ansiedade. “Não é errado planejar as festas ou pensar no recesso de trabalho, mas é essencial delimitar um horário específico para isso”, aconselha Jefferson Vendrametto, especialista em carreiras.
