Nesta sexta-feira (27), uma nova perspectiva sobre a criação de hábitos ganhou destaque nas redes sociais, ao abordar a diferença entre disciplina tradicional e uma abordagem mais afetiva e intencional conhecida como devoção. Influenciadores digitais e especialistas questionaram o modelo convencional de formação de hábitos com base em disciplina rígida, apontando novas possibilidades para cultivar práticas saudáveis e sustentáveis no cotidiano.
Personalidades como Liv Glitterbones, artista e produtora de conteúdo, têm se destacado ao defender uma visão mais gentil e voltada ao autoconhecimento. Liv Glitterbones propôs que rituais simples do dia a dia podem se transformar em manifestações de cuidado pessoal, como preparar uma refeição com atenção ou conduzir um banho como um momento de reconexão. “Às vezes, sinto que a disciplina é mais motivada pela obrigação ou pela estrutura, e a devoção surge do amor e da paixão”, afirmou Liv Glitterbones. “Quando falo em fazer as coisas com devoção, é mais sobre ter paciência, gentileza e respeito por si mesmo e pelo seu propósito de vida”, completou a artista, que optou por manter sua identidade preservada por questões de privacidade.


A diferença entre hábito, disciplina e motivação emocional
A proposta de Liv Glitterbones contrasta com a narrativa mais comum em ambientes digitais, onde influenciadores fitness frequentemente reforçam a disciplina como caminho único para alcançar transformações positivas. Essa visão tradicional é baseada na repetição intencional e no controle rígido das ações. No entanto, especialistas destacam que disciplina e hábito não são conceitos equivalentes.
De acordo com a professora emérita de psicologia e negócios da Universidade do Sul da Califórnia em Dornsife, Wendy Wood, o hábito se forma a partir da repetição de comportamentos em contextos específicos, tornando-se automáticos com o tempo. “Você não precisa tentar ou tomar uma decisão para criar hábitos”, afirmou Wendy Wood.
Por outro lado, a disciplina exige esforço consciente e contínuo, envolvendo o controle da atenção, das emoções e do comportamento. Wendy Wood explicou que a disciplina não é capaz de sustentar, sozinha, um comportamento desagradável por tempo suficiente para que se torne hábito. “Você não pode ter disciplina suficiente para repetir um comportamento que não gosta por tempo suficiente para criar um hábito. Disciplina, autocontrole e força de vontade simplesmente não funcionam dessa forma”, disse Wendy Wood. “São motivações de curto prazo que podemos controlar no curto prazo. Quando você vê pessoas que parecem ter muita autodisciplina, o que você descobre é que elas realmente não estão tendo dificuldades com as decisões que estão tomando. Elas fazem isso automaticamente”, concluiu a pesquisadora.
