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Dormir com a TV ligada: conforto momentâneo que esconde riscos para a saúde

Especialistas explicam como o hábito, apesar de comum, pode afetar negativamente o sono
Dormir com a TV ligada (foto Reprodução Redes Sociais)

Dormir com a TV ligada (foto Reprodução Redes Sociais)

Na noite de segunda-feira, 1º de julho, especialistas em saúde mental e do sono alertaram para os perigos de um hábito bastante popular: dormir com a televisão ligada. Apesar de parecer inofensiva, essa prática pode afetar o funcionamento do cérebro durante o sono e estar relacionada a problemas emocionais e físicos.

De acordo com o psiquiatra William Augusto Araújo, professor de Medicina no Centro Universitário Max Planck (UniMAX Indaiatuba), o barulho da TV pode funcionar como um artifício para abafar pensamentos incômodos e silenciar a ansiedade. “Muitas vezes, a televisão funciona como uma espécie de ‘ruído de fundo’ que ajuda a abafar pensamentos ansiosos ou o desconforto com o silêncio absoluto. Esse hábito pode estar relacionado a quadros de insônia, ansiedade ou mesmo a uma condição conhecida como ‘estado hiperalerta’, em que o cérebro permanece excessivamente ativo na hora de dormir”, explicou Araújo.

A prática, segundo o otorrinolaringologista Fernando César Mariano, especialista em Medicina do Sono no Hospital IPO, também pode ser um indicativo de dificuldades emocionais mais profundas. “Em alguns casos, há um quadro de insônia condicionada, em que o cérebro desaprendeu a relaxar em silêncio. Pode também estar relacionado a quadros de ansiedade, depressão ou solidão, onde o ruído da TV funciona como ‘companhia sonora’. É um alerta de que o sono pode estar sendo usado como forma de escape, e não como um processo fisiológico natural e restaurador”, afirmou Mariano.

Impactos na qualidade do sono e no organismo

Os prejuízos não param por aí. Dormir com a televisão ligada pode interromper as fases mais profundas do sono, como o estágio N3 e o REM, que são fundamentais para o equilíbrio emocional, a consolidação da memória e a recuperação celular. A luz azul emitida pela tela tem um papel crucial nesse distúrbio. “A luz azul emitida pela tela interfere na produção de melatonina, nosso principal hormônio indutor do sono. Além disso, os sons e variações de volume, mesmo que não sejam totalmente percebidos, mantêm o cérebro em estado de alerta, como se estivesse ‘meio acordado'”, explicou Fernando.

Outro aspecto importante é a influência da luz no relógio biológico, conhecido como ritmo circadiano, responsável por regular vários processos do corpo ao longo do dia. “A luz é o principal sincronizador do nosso relógio biológico. O corpo interpreta a presença de luz como sinal de dia, inibindo a melatonina e mantendo-nos despertos. À noite, especialmente a exposição à luz azul de telas, pode atrasar o início do sono e desregular os ritmos circadianos, que governam não só o sono, mas também hormônios, temperatura corporal, metabolismo e até o sistema imunológico”, observou Fernando.

Além disso, o hábito pode ter consequências no sistema cardiovascular, já que o sono é o momento em que o organismo regula funções como a pressão arterial e a frequência cardíaca. Alterações de humor e prejuízos à saúde mental também estão entre os riscos.

A psicóloga Maria Beatriz Zanarella Cruz, professora do curso de Psicologia do Centro Universitário de Jaguariúna (UniFAJ), reforçou que, apesar de parecer algo pequeno, o comportamento pode esconder questões emocionais mais sérias. “Embora possa parecer um hábito inofensivo, ele pode mascarar questões relacionadas à saúde mental, que merecem atenção profissional. A qualidade do sono tem impacto direto na regulação emocional e no funcionamento cognitivo, por exemplo. Dormir bem não é um luxo, mas sim uma necessidade fisiológica”, advertiu Maria Beatriz.

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