Especialistas estão chamando atenção para um novo efeito relacionado ao uso de Ozempic (semaglutida), medicamento originalmente indicado para o tratamento de diabetes tipo 2, mas amplamente utilizado para o emagrecimento acelerado. O termo “vulva de Ozempic” passou a circular nas redes sociais, descrevendo a flacidez e a perda de volume na região íntima feminina relatadas por mulheres que tiveram redução rápida de peso. As informações são da Rede Gazeta.
A condição não é uma reação direta ao medicamento, mas sim uma consequência da perda intensa de gordura corporal, que afeta diversas áreas do corpo, inclusive os grandes lábios. A ginecologista Adriana Ribeiro explica que “essa perda de volume é natural, já que o tecido adiposo é um dos primeiros a sofrer alterações durante o processo de emagrecimento”.





Segundo a médica, quando a gordura diminui de forma significativa, ocorre uma redução na sustentação e no preenchimento natural da vulva, o que pode deixar a área com aparência flácida e causar desconforto durante atividades cotidianas e relações sexuais. “Além dessas alterações, algumas mulheres têm observado um ressecamento vaginal mais intenso com o uso do Ozempic, embora ainda não haja confirmação científica de uma ação direta do medicamento sobre esse sintoma”, explicou Adriana Ribeiro.
Especialistas apontam causas, consequências e tratamentos possíveis
O ginecologista Igor Padovesi afirma que a perda rápida de peso pode diminuir a gordura dos lábios maiores, que ajudam a proteger os tecidos internos. Essa alteração faz com que os lábios menores fiquem mais visíveis, o que pode gerar incômodo e atrito com roupas justas. “Faz também algumas mulheres terem a sensação de que os pequenos lábios cresceram e na verdade o que acontece é que os lábios externos ou grandes lábios que cobriam os pequenos, quando eles reduzem de volume, acabam deixando os lábios internos mais salientes, proeminentes e passam a incomodar mais a mulher”, explicou.
A ginecologista Patricia Magier acrescenta que a perda de gordura nessa região pode provocar alterações estéticas e desconforto físico, além de interferir na hidratação e sensibilidade da mucosa vaginal. Ela alerta que o emagrecimento acelerado pode ainda alterar o metabolismo hormonal, reduzindo a produção de estrogênio e agravando sintomas como secura vaginal, queda da libido e dor durante o contato íntimo.
Para prevenir ou amenizar os efeitos da “vulva de Ozempic”, Patricia Magier recomenda que o processo de emagrecimento seja gradual e acompanhado por uma equipe médica. Tratamentos como laser íntimo, radiofrequência, bioestimuladores de colágeno e preenchimento com ácido hialurônico podem ajudar a restaurar o volume e a firmeza da região.
De acordo com Adriana Ribeiro, “iniciar precocemente protocolos com bioestimuladores de colágeno injetáveis ou tecnologias como o laser íntimo pode trazer excelentes resultados”. Ela também destaca que o preenchimento dos grandes lábios com ácido hialurônico é uma alternativa segura e eficaz, proporcionando aspecto rejuvenescido, conforto e melhora da autoconfiança das pacientes.
