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Onda de calor: saiba se é necessário repor eletrólitos para se hidratar melhor

Bebidas esportivas, pós e comprimidos prometem melhorar a hidratação, mas especialistas explicam quando eles são realmente úteis
Onda de calor: saiba se é necessário repor eletrólitos para se hidratar melhor

O consumo de eletrólitos ganhou espaço durante períodos de calor intenso, impulsionado por um mercado bilionário de bebidas, pós e comprimidos voltados à hidratação. Esses produtos são divulgados como aliados antes, durante ou após atividades físicas e até para o dia a dia, com promessas de mais saúde e desempenho. As informações são do O GLOBO.

A dúvida central é se a reposição de eletrólitos perdidos no suor é necessária para a maioria das pessoas ou se a água segue sendo suficiente. Especialistas avaliam o papel dessas substâncias no organismo e explicam em quais situações o consumo faz sentido.

Qual é a função dos eletrólitos no corpo

Eletrólitos são minerais como sódio, potássio, cálcio e magnésio, responsáveis por regular o movimento da água no organismo e diversas funções vitais. Segundo a médica Amy West, da Northwell Health, “eles ajudam a manter o equilíbrio de fluidos”.

Esses minerais participam do transporte de líquidos entre as células e influenciam pressão arterial, batimentos cardíacos e funcionamento dos músculos e dos nervos. Apesar de muito associados a bebidas esportivas, eles também estão presentes na alimentação cotidiana. A nutricionista Heidi Skolnik lembra que “quando falamos de potássio, ele está presente em uma banana” e que “quando você come um pretzel, ele contém sódio”.

Durante a transpiração, ocorre perda de líquidos e eletrólitos. Se essa perda for elevada, pode surgir a desidratação, com redução do volume sanguíneo. Nesse cenário, “seu coração precisa bombear com mais força para que a mesma quantidade de sangue circule”, explica Skolnik.

Em quais situações a reposição é necessária

A reposição de eletrólitos se torna importante quando há perda intensa de líquidos, como em quadros graves de diarreia. Nessas situações, médicos costumam indicar soluções de reidratação oral, que têm maior concentração de sódio e potássio do que bebidas esportivas comuns.

Para treinos regulares, mesmo intensos ou em dias quentes, especialistas afirmam que beber água ao sentir sede costuma ser suficiente. O açúcar e os carboidratos das bebidas esportivas podem beneficiar atletas de alto rendimento, mas os eletrólitos exercem pouco impacto no desempenho. Estudos mostram que atletas não apresentaram diferença de resultado entre consumir água ou bebidas com eletrólitos, mesmo após horas de exercício em temperaturas elevadas.

O professor Ricardo Da Costa, da Universidade Monash, afirma que “já está bem estabelecido há pelo menos uma década que os eletrólitos não contribuem muito para o desempenho”. Para ele, “as estratégias de marketing das empresas de bebidas esportivas são mais eficazes do que as dos pesquisadores”.

A cientista Tamara Hew-Butler reforça que “todo mundo acha que precisa repor os eletrólitos perdidos imediatamente” e completa “não precisa. Geralmente, você repõe o que perdeu com as refeições”.

Em situações específicas, como passar muitos dias sob calor intenso e apresentar sintomas como tontura, bebidas esportivas podem ajudar, especialmente se a dieta não estiver fornecendo eletrólitos suficientes. Robert Kenefick, da Universidade de Massachusetts Lowell, destaca que isso vale principalmente quando a hidratação e a alimentação estão inadequadas.

Possíveis riscos e limitações

Em casos raros, o excesso de ingestão de líquidos sem reposição adequada de sódio pode levar à hiponatremia, condição marcada por níveis baixos de sódio no sangue. Os sintomas incluem náusea e fadiga, com risco maior para pessoas com doenças cardíacas, hepáticas ou renais. Entre atletas, o problema pode surgir quando há consumo exagerado de líquidos por longos períodos, embora a maioria das bebidas esportivas não contenha sódio suficiente para prevenir esse quadro.

Fora o custo, especialistas apontam poucas desvantagens no consumo ocasional dessas bebidas por pessoas saudáveis. Kenefick afirma que elas não possuem eletrólitos em quantidade capaz de sobrecarregar o organismo, e o sabor adocicado pode estimular a ingestão de líquidos.

Ainda assim, há ressalvas. Tamara Hew-Butler alerta que suplementos não são bem regulamentados e podem conter contaminantes. Em uma pesquisa conduzida por sua equipe, foram identificados níveis inseguros de arsênico em bebidas em pó fornecidas a atletas universitários. Embora não tenham sido observados danos, o episódio reforça a importância de atenção aos rótulos, especialmente à quantidade de açúcar presente nesses produtos.

alfinetei

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