O senador Jaques Wagner (PT-BA), ex-líder do governo no Congresso, criticou a divulgação de uma foto com cédulas de moeda estrangeira apreendidas no apartamento onde mora, em Brasília (DF). O parlamentar classificou a exposição da imagem como uma “patacoada” e afirmou que levou a reclamação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A declaração foi dada em entrevista à Folha de S.Paulo, após a operação da Polícia Federal que investiga possíveis relações entre o senador e o Banco Master.
“Para que aquela patacoada de dinheiro em cima da cama com o escudo da PF? Esse processo era comum na Lava Jato. Se a Polícia Federal vai continuar nesse tipo de espetacularização, acho que o chefe da Polícia Federal tem que tomar conta”, afirmou.
A imagem foi registrada durante a nona fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal em 18 de junho. A investigação apura uma suposta atuação do senador em defesa de interesses do Banco Master dentro do Congresso Nacional.

Entre os pontos investigados estão possíveis articulações envolvendo propostas como a ampliação do crédito consignado e a chamada “Emenda Master”, apresentada pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI), que também é alvo da apuração.
Segundo os investigadores, Jaques Wagner teria recebido um apartamento e repasses milionários para favorecer a instituição financeira ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro. O senador afirmou que contestou a divulgação da apreensão diretamente com Lula e disse que a exposição contrariou uma determinação do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), que teria recomendado que as diligências fossem realizadas “de forma discreta” devido ao “caráter sigiloso da investigação”.
Senador nega irregularidades e diz que valores têm origem legal
Durante a entrevista, Wagner também afirmou que os pagamentos feitos pelo Banco Master à empresa de sua nora superam os R$ 3,5 milhões divulgados anteriormente. Segundo ele, os recursos são legais e não representam qualquer irregularidade.
“Está se tentando criar uma retórica hipócrita. Tenho relação com uma porção de gente. Aí o cara diz para mim: ‘terça-feira eu estou indo para Brasília, quer ir de carona?’ Eu vou, qual o problema? Fica-se criminalizando qualquer tipo de relacionamento. Óbvio que de vez em quando eu pego carona. O que a Polícia Federal tem que comprovar, e não vai, é a relação de troca”, declarou.
Wagner deixa liderança do governo no Senado
Jaques Wagner deixou a liderança do governo no Senado na quarta-feira (24/6), após uma conversa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio da Alvorada. A decisão ocorreu uma semana depois da operação da Polícia Federal e, segundo o senador, foi tomada em comum acordo.
A senadora Teresa Leitão (PT-PE) assumiu a função no lugar de Wagner.
“Neste momento, minha prioridade absoluta é provar minha inocência e me dedicar à reeleição do presidente Lula e do governador Jerônimo Rodrigues, além da minha reeleição junto com Rui Costa para o Senado”, declarou o senador nas redes sociais.
