Na segunda-feira (19/05), autoridades internacionais voltaram a esclarecer as formas de transmissão do Ebola após o avanço do surto na República Democrática do Congo, na África Central. A Organização Mundial da Saúde declarou emergência de saúde pública de âmbito internacional, mas especialistas destacaram que o risco geral de contágio permanece baixo e que o vírus não se espalha pelo ar como gripe ou Covid-19. As informações são do O Globo.
A OMS informou que a transmissão ocorre principalmente por contato direto com fluidos corporais de pessoas infectadas que já apresentam sintomas. Sangue, vômito, fezes e outras secreções estão entre os materiais com maior potencial de contágio. Objetos contaminados, como roupas de cama, agulhas e superfícies utilizadas durante atendimentos médicos, também podem transmitir o vírus.

Ebola não é transmitido pelo ar
Autoridades sanitárias internacionais reforçaram que o Ebola não circula pelo ar como vírus respiratórios comuns. Uma pessoa não contrai a doença apenas por permanecer no mesmo ambiente que alguém infectado ou por contato indireto após tosse e espirros.
Especialistas alertaram, porém, que ambientes hospitalares e situações com exposição direta a fluidos corporais exigem cuidados rigorosos. Profissionais de saúde utilizam equipamentos de proteção específicos para reduzir os riscos de infecção.
A OMS explicou que pessoas infectadas passam a transmitir o vírus somente após o aparecimento dos sintomas. Os primeiros sinais costumam surgir entre dois e 21 dias depois da infecção, com maior frequência entre o oitavo e o décimo dia.
Nos estágios iniciais, a doença apresenta sintomas semelhantes aos de uma gripe intensa, incluindo febre, dor de cabeça, dores musculares, fraqueza acentuada e mal-estar geral. Em quadros mais graves, pacientes podem apresentar vômitos, diarreia, comprometimento do fígado e dos rins, além de sangramentos internos e externos.
A entidade internacional também alertou que alguns fluidos corporais podem permanecer com o vírus durante semanas ou meses após a recuperação clínica, principalmente o sêmen.
Fluidos corporais apresentam maior risco de contágio
Especialistas apontaram que sangue, vômito, fezes, secreções corporais e fluidos de pessoas mortas em decorrência da doença representam os principais meios de transmissão. Estudos também identificaram o vírus em saliva, urina, leite materno e sêmen.
A infecção acontece quando esses fluidos entram em contato com mucosas dos olhos, nariz e boca ou com ferimentos na pele.
Pesquisas científicas indicaram que morcegos frugívoros funcionam como reservatórios naturais do Ebola. Outros animais selvagens podem ser contaminados e transmitir o vírus aos humanos por meio de contato direto. Macacos, chimpanzés, gorilas e alguns antílopes aparecem entre as espécies associadas a surtos anteriores.
A OMS afirmou ainda que não existem evidências de transmissão do Ebola por mosquitos ou outros insetos.
Conflitos armados dificultam controle do surto
Especialistas demonstraram preocupação com o avanço do surto na República Democrática do Congo porque a circulação do vírus pode ter permanecido ativa durante semanas antes da confirmação oficial das autoridades sanitárias.
As regiões afetadas enfrentam conflitos armados, deslocamentos populacionais e grande circulação entre comunidades e países vizinhos. Esses fatores dificultam ações de vigilância e controle da doença.
Apesar do cenário, autoridades internacionais reforçaram que o Ebola não possui o mesmo potencial de disseminação global observado em vírus respiratórios como a Covid-19. Técnicas de monitoramento sanitário e protocolos de isolamento ajudam a reduzir os riscos de transmissão.
