Após a confirmação de um surto do vírus Nipah na Índia, na segunda-feira (02/02), o agente infeccioso passou a ser descrito como “novo”, embora seja estudado por cientistas desde 1999. A doença voltou ao noticiário internacional após dois casos entre profissionais de saúde indianos, sem indícios de disseminação para outros países. As informações são do O GLOBO.
O vírus Nipah, identificado pela sigla NiV, tem como reservatórios naturais morcegos frugívoros do gênero Pteropus. Esses animais estão distribuídos por diversas regiões da Ásia e do Pacífico Sul, incluindo Camboja, Gana, Indonésia, Madagascar, Filipinas, Tailândia e Austrália. A infecção pode alcançar outros animais e humanos por meio da ingestão de alimentos contaminados ou pelo contato direto entre pessoas.


Como o vírus atua e de que forma ocorre a transmissão
De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a infecção pode provocar sintomas variados, que vão de problemas respiratórios a quadros de encefalite, uma inflamação cerebral potencialmente fatal. A gravidade depende do estágio da doença e das condições clínicas do paciente.
O primeiro surto identificado ocorreu há quase três décadas e esteve associado ao consumo de carne de porco contaminada. Em episódios posteriores, em Bangladesh e na Índia, investigações apontaram frutas e derivados contaminados por saliva ou urina de morcegos como prováveis fontes de infecção.
Também há registros de transmissão entre pessoas, especialmente em ambientes familiares e hospitalares. No surto indiano de 2001, cerca de 75 por cento dos casos envolveram trabalhadores ou visitantes de um hospital. Entre 2001 e 2008, aproximadamente metade das infecções relatadas em Bangladesh esteve ligada ao cuidado de pacientes doentes. Desde a descoberta do vírus, ao menos dois casos são confirmados anualmente na Índia, o que reforça que o agente não surgiu recentemente, apesar do novo surto.
Alerta do Ministério da Saúde
O Ministério da Saúde informou que o risco de entrada do vírus no Brasil é considerado baixo. Segundo a pasta, os dois casos confirmados na Índia envolveram profissionais de saúde e não há sinais de propagação internacional.
“Diante do cenário atual, não há qualquer indicação de risco para a população brasileira. As autoridades de saúde seguem em monitoramento contínuo, em alinhamento com organismos internacionais”, afirmou a pasta.
O comunicado destaca ainda a manutenção de protocolos permanentes de vigilância para agentes altamente patogênicos, em parceria com instituições como o Instituto Evandro Chagas e a Fundação Oswaldo Cruz, além da atuação conjunta com a Organização Pan-Americana da Saúde.
A Organização Mundial da Saúde também avaliou que o risco de disseminação é baixo e informou que não recomenda restrições a viagens ou comércio com a Índia após as confirmações recentes. Ainda assim, classifica o vírus como prioritário devido ao potencial de desencadear surtos de grande escala.
