O plano para matar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT); o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes; e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), debatido em 12 de novembro na casa do general Braga Netto, considerava executar as autoridades por envenenamento.
“Foram consideradas diversas condições de execução do ministro Alexandre de Moraes, inclusive com o uso de artefato explosivo e por envenenamento em evento oficial público. Há uma citação aos riscos da ação, dizendo que os danos colaterais seriam muito altos, que a chance de ‘captura’ seria alta e que a chance de baixa (termo relacionado a morte no contexto militar) seria alto”, detalha a investigação.



(Foto Reprodução Redes Sociais)

A PF não divulgou a íntegra do arquivo “Fox_2017.docx”. Esse documento é fundamental para que se possa entender o grau de verossimilhança e de exequibilidade do plano de golpe e de assassinato de personalidades.
Metadados obtidos pela corporação mostram que o arquivo foi criado em 9 de novembro de 2022 pelo general da reserva Mário Fernandes, então secretário-executivo da Secretaria Geral da Presidência da República. A investigação indica que o plano “possivelmente” foi impresso no gabinete da Secretaria Geral no mesmo dia. “O documento traz em formato de tópicos o planejamento de uma operação clandestina, com demandas de reconhecimento operacional a serem realizadas, demandas para preparação e condução da ação (recursos necessários), demandas de pessoal a ser utilizado e condições de execução”, escreveu a PF.
Eis alguns dos tópicos do documento
“Demandas de Rec Op (levantamentos)” – diligências necessárias e já em andamento para identificar o aparato de segurança pessoal (equipamentos de segurança, armamentos, veículos blindados, itinerários e horários) de Moraes; “Demandas para a Prep e Condução da Ação (Meios)” – lista de itens necessários para a ação, incluindo o uso de chips descartáveis, celulares e armas “de guerra”, como fuzis, pistolas, lança-granadas e lança-rojões; “Demandas de Pes” – quantidade mínima de pessoas para a ação contra Moraes; “Condições de Execução” – descrição das possibilidades de êxito, riscos e impactos, além do que já havia sido levantado e o que ainda precisaria ser avaliado. Mostra que foi considerado o “uso de artefato explosivo” e o “envenenamento em evento público” dos alvos. Cita os codinomes “Jeca” e “Joca” para se referir a Lula e Alckmin, respectivamente.
