Nos últimos tempos, as chamadas “canetas de emagrecimento” se tornaram o centro das atenções, especialmente o Ozempic e o Mounjaro, dois medicamentos que prometem controlar o apetite, ajudar na perda de peso e regular os níveis de glicose no sangue. Mas afinal, como cada um age no corpo, quais são os riscos e benefícios e quem realmente pode usá-los? A Dra. Esthela Oliveira revelou todos os detalhes sobre esses medicamentos.
O Ozempic, nome comercial da semaglutida, imita um hormônio natural do intestino chamado GLP-1. Esse hormônio é liberado durante a alimentação e atua em duas frentes: no cérebro, reduzindo a fome, e no estômago, retardando o esvaziamento gástrico (o que faz com que o alimento permaneça mais tempo no estômago e prolongue a sensação de saciedade). Além disso, o medicamento ajuda a controlar os níveis de açúcar no sangue, sendo especialmente benéfico para pessoas com resistência à insulina ou diabetes tipo 2. Por isso, o Ozempic contribui tanto para o emagrecimento quanto para a melhora da sensibilidade à insulina.
Já o Mounjaro atua de maneira um pouco diferente. Ele age em dois receptores, GLP-1 e GIP, o que tende a proporcionar resultados mais rápidos e expressivos, principalmente na balança. No entanto, essa potência pode vir acompanhada de efeitos colaterais, como enjoo, azia e constipação. O Ozempic, por outro lado, apresenta uma ação mais suave e um perfil de segurança amplamente estudado, sendo geralmente bem tolerado pelos pacientes.

Qual escolher?
A escolha entre um e outro depende do caso. De forma geral, para o tratamento do diabetes tipo 2, o Ozempic costuma ser suficiente, enquanto o Mounjaro tende a ser mais eficaz para o emagrecimento. A decisão deve sempre ser feita por um médico, levando em conta as condições de saúde, o metabolismo e os objetivos de cada pessoa.
Os prós dessas medicações são conhecidos: ambas controlam o apetite, melhoram o metabolismo, reduzem a resistência à insulina e podem até contribuir para a prevenção de doenças cardiovasculares. Mas também existem contras. O efeito colateral mais comum é a náusea, muitas vezes acompanhada de desconforto abdominal, distensão e constipação, sendo esta última mais frequente com o Ozempic. Também é importante observar queda de cabelo, geralmente associada à perda de peso rápida, e o risco de sarcopenia (perda de massa muscular) e flacidez, caso o uso não seja acompanhado por orientação médica e nutricional adequadas.
Vale destacar que nem todo mundo pode usar Ozempic ou Mounjaro. Essas medicações devem ser prescritas apenas por um médico. Até meados de 2025, o Brasil era um dos poucos países em que essas substâncias eram vendidas sem receita, o que levou a um uso indevido. Atualmente, o uso é controlado e indicado apenas para situações específicas, como obesidade, resistência à insulina, síndrome metabólica e diabetes tipo 2.
Esses medicamentos não devem ser utilizados por motivos estéticos ou de forma preventiva. Na medicina integrativa, o foco é sempre a personalização: cada organismo reage de forma diferente, e é essencial avaliar o conjunto da saúde, incluindo hormônios, metabolismo, estilo de vida e equilíbrio emocional, antes de iniciar qualquer tratamento.
Sobre a Dra. Esthela Oliveira
Dra. Esthela Oliveira é nutróloga e médica do esporte (RQE: 76855), pós-graduada em Nutrologia pela ABRAN e em Medicina Integrativa pelo Hospital Israelita Albert Einstein. Integra o corpo clínico do Hospital Albert Einstein, possui formação em Conexão Mente-Corpo pela Harvard Medical School e é fundadora da Side Clinic, clínica dedicada à saúde integrada.
